sexta-feira, 18 de novembro de 2011

política muda

Senhor primeiro ministro sentado no lugar mais central de todo o parlamento, discursando pelos gastos lábios e gesticulando ferozmente para a bancada, porém nada se ouve. Repete inúmeras vezes o gesto que se assemelha ao erguer de um revolver: afasta nitidamente o polegar do indicador, e eleva este acima dos ombros. Na bancada ouvem-se protestos mudos, pequenos apartes taciturnos. A oposição demonstra desrespeito, desprezo e desdém: a esquerda pede mais, o centro mostra-se ultrajado e a direita pede o que a esquerda deseja. Porém: não se ouve uma palavra. É a religião, é a economia, são as finanças, são os protestos e manifestações. A deputada grita, mas ninguém a ouve. O ministro faz e não fez. São papéis a voar, bandeiras de ontem que dançam ao sabor do vento; agora arrumadas. Tudo isto são sombras de uma revolução, quando Abril esperava um reflexo.

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